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"Agnus Dei: Cordeiro de Deus" e o confronto com o irrepresentável

marina aqua

 

As autoridades estão cada vez mais interessadas em esclarecer os abusos contra os jovens por parte de alguns padres porque, como o Papa Francisco declarou recentemente, “o rumo que a Igreja tomou é irreversível”. Algo extremamente necessário para proteger as vítimas e julgar os agressores, apesar de muitas vezes aqueles que sofreram abusos terem medo de denunciá-los por medo de serem estigmatizados pela sociedade em que vivem; isso sem contar também com o poder que a iconografia religiosa tem sobre a psique dos paroquianos.
"Para mim, Deus, nosso Senhor, é tudo, até lhe digo para tirar o meu coração e limpá-lo." Esta citação, retirada do documentário "Agnus Dei: Cordeiro de Deus" (2010), da cineasta mexicana Alejandra Sánchez, condensa a percepção que grande parte dos crentes têm sobre a religião como dona de seus corpos e onde o padre que aparece Icônico, sendo a representação do Filho na terra, é intocável e santificado, possuindo os mesmos direitos que este último sobre a carne e o espírito. É por isso que, quando uma freira descobre que um certo padre preso por abuso infantil foi abusado por outros prisioneiros, ela chora ao clamor do “corpo de Cristo indignado!”

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